Vale altera auxílio e reduz valor de pagamento a famílias desalojadas em Macacos

Uma família de cinco pessoas, com dois adultos, um adolescente e duas crianças, antes tinha direito a até R$ 5.600,00 mensais. Com a nova fórmula, passa a receber R$ 3.057,05, redução de 45,4% no benefício

Barragem B3/B4, em nível 3 de emergência, o mais alto, provocou remoção. Imagem: Reprodução/Google Maps

Em meio a pandemia do coronavírus, a Vale reduziu o valor pago como auxílio as 125 famílias moradoras do distrito de Macacos, em Nova Lima, que foram desalojada pelas obras de contenção das barragens B3 e B4. De fevereiro do ano passado a 16 de março desse ano, 3.711 pessoas recebiam um vale-alimentação, de papel, para comprar no comércio da cidade. O vale foi substituído por salário fixo para evitar aglomerações na entrega do benefício, segundo a empresa.


Dias depois do último pagamento do voucher, a mineradora enviou comunicado às famílias, informando que mudaria a forma e cálculo do pagamento. Antes, cada beneficiado recebia semanalmente um talão com 14 folhas no valor de R$ 20,00, totalizando R$ 280,00 por semana. O novo pagamento vai ser creditado diretamente nas contas bancárias, e os critérios foram alterados. Todos os cadastrados recebiam o mesmo valor. Agora, adultos têm direito a um salário mínimo por mês; adolescentes, meio salário e cada criança vai receber um quarto de salário.


Uma família de cinco pessoas, com dois adultos, um adolescente e duas crianças, antes tinha direito a até R$ 5.600,00 mensais. Com a nova fórmula, passa a receber R$ 3.057,05, redução de 45,4% no benefício. A mudança teve o aval do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública, e foi homologada pela Justiça.


Gerusa França Brasileiro é comerciante em Macacos e diz que redução dos valores vai impactar ainda mais na economia do distrito, que já estava prejudicada pelas obras da Vale e, agora, pela pandemia. “A gente recebia os vouchers, levava na Vale e trocava pelo dinheiro. Com a troca da forma de pagamento e a redução dos valores, vamos ser ainda mais prejudicados do que já estamos”, disse ela à reportagem do G1.


A mineradora informou que, além do valor, as 125 famílias que tiveram que deixar suas casas receberão refeições, para quem está vivendo em hotel, e cestas básicas, para quem mora em imóvel alugado provisoriamente pela empresa.


A companhia afirmou, ainda, que só os moradores de Macacos recebiam esse tipo de vale-alimentação. Atingidos de Brumadinho e Barão de Cocais já recebem o auxílio por meio de depósito em conta.


O complexo das barragens B3 e B4 é um dos quatro em Minas que estão em nível 3, o mais alto, de alerta para rompimento.


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