"Relações existentes antes do rompimento não são mais possíveis nas bacias do Doce e Paraopeba"

Professor da USP, Evandro Saidel concedeu uma entrevista ao Movimento dos Atingidos por Barragens a respeito da pesquisa que desenvolve sobre o impacto dos rompimentos das barragens nas relações humanas entre os atingidos

Patrimonio cultural arrasado pela lama em Bento Rodrigues. Imagem: Caoma/MPMG

Com pós doutorado em física pelo Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), Evandro Saidel é professor na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP e, atualmente, professor convidado no núcleo de pesquisa coordenado pela professora Dulce Maria Pereira na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) sobre os impactos dos crimes da Vale em Mariana e Brumadinho.


Especialista em ciência de dados, Saidel aplica um método que analisa as consequências dos rompimentos das barragens nas relações humanas desenvolvidas nas comunidades das bacias atingidas. De acordo com o professor, o prejuízo imaterial é grande.


O trabalho é feito em duas etapas. Na primeira entrevista-se cada pessoa atingida para entender como era o dia a dia de cada um, ou seja, as relações com outras pessoas, atividades sociais, interação com o meio ambiente. Depois, na segunda etapa, os dados de todas as entrevistas são inseridos num mapa de relações. Então, por exemplo, se várias pessoas indicaram que participam de determinada festa estas participações estarão desenhadas num mapa.


No final, tem-se um mapa que apresenta as relações socioambientais antes do rompimento da barragem e depois. Este mapa pode ser um documento que registra o histórico vivido pelos atingidos. Como as atividades sociais e a relação com o meio ambiente estavam interligadas, quais ainda se mantém, quais podem ser recuperadas.


"Por meio da ciência de redes, são construídos mapas com as relações socioambientais na região, antes e depois do rompimento da barragem. Com a finalização do estudo, será possível dimensionar a transformação nessas relações. Já sabemos que vários laços foram rompidos", explica Saidel.


O estudo pode complementar o trabalho já realizado por vários profissionais das assessorias técnicas na construção de “matrizes de danos”, documentos com o objetivo de registrar de forma integral todas as perdas sofridas e auxiliar na reparação justa dos atingidos. O estudo das perdas imateriais, com identificação dos impactos das perdas ecossistêmica, é uma das possibilidades do trabalho.


A pesquisa também poderá ajudar na realização da cartografia socioamiental das bacias do Rio Doce e do Paraopeba.


Leia a entrevista na íntegra no site do MAB.

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