Fundo soberano da Noruega exclui Vale e Anglo American por danos ambientais

A justificativa para a exclusão, no caso da Vale, foram os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, no da Anglo, sua produção e uso de carvão

Banco Central da Noruega. Imagem: domínio público

O fundo soberano da Noruega, que administra mais de 1 trilhão de dólares, decidiu excluir de sua carteira investimentos as mineradoras Vale e Anglo American. A exclusão da Vale foi recomendada pelo conselho de ética do fundo, em função dos repetidos rompimentos das barragens da mineradora. Já a Anglo foi excluída por sua produção e uso de carvão. A decisão foi comunicada no último dia 13.


O anúncio divulgado pelo fundo estatal de pensões, destacando o crescente papel de considerações climáticas sobre investidores de longo prazo, foi a primeira revelação sobre a aplicação das medidas. No fim de 2018, o fundo tinha cerca de 650 milhões de dólares em investimentos na Vale. Na cotação de hoje, representa cerca de R$ 3,7 bilhões de reais. Toda a participação foi vendida no mercado.


No comunicado, os noruegueses disseram que levou um longo tempo para vender as ações de diversas das empresas excluídas devido à situação do mercado, incluindo a liquidez em algumas ações, devido ao novo coronavírus.


O fundo, criado em 1996, visa poupar para gerações futuras as receitas da Noruega com a produção de petróleo e gás. Ele está entre os maiores investidores do mundo, possuindo cerca de 1,5% de todas ações listadas globalmente.


Ele opera sob diretrizes éticas definidas pelo parlamento e exclui da carteira empresas que não as respeitam. O conselho do banco central da Noruega então decide quando agir. O fundo pode reverter as exclusões se as empresas resolverem os problemas levantados. É frequente que seus movimentos sejam seguidos por outros fundos.


A BHP Billiton, parceira da Vale na Samarco e corresponsável pelo rompimento da barragem em Mariana em 2015, foi colocada “sob observação” por seus investimentos em carvão. O fundo norueguês é dono de 5% da BHP, a maior mineradora do planeta. A BHP produz 27,5 milhões de toneladas de carvão por ano. A Vale também é dona de uma das maiores minas de carvão a céu aberto do planeta, em Moçambique na África.


Além da Vale, a elétrica brasileira Eletrobras também foi excluída por causar danos ambientais, sobretudo no projeto da usina de Belo Monte.


Histórico de exclusões

Por conta da sucessão de acidentes ambientais, a Vale já enfrentou a reação de outros investidores. O britânico Church of England se desfez das ações da mineradora após Brumadinho, o fundo de pensão californiano Calpers, com portfólio de US$ 402 bilhões, vendeu todos os títulos de dívida da companhia e a gestora holandesa Robeco pôs a Vale em uma lista de empresas com restrições de investimento.


Crime de mineradora norueguesa no Pará

O governo da Noruega, apesar de suas diretrizes éticas, é dono da mineradora Norks Hydro, responsável pela despejo ilegal de rejeitos em Barcarena no Pará dois anos atrás. Os noruegueses parecem não ter o mesmo rigor quanto o caso.


Até o momento, a Hydro cumpriu 17 das 34 obrigações de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público. Ameaças a moradores atingidos pelos rejeitos da Hydro estão documentas. Um relatório produzido por uma comissão externa da Câmara dos Deputados, recomendando investigações civil e criminal, ainda não resultou em inquérito.

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