Famílias próximas a barragens da Vale em Ouro Preto e Itabirito são retiradas de casa

Risco iminente de rompimento de duas estruturas da mineradora forçou retirada dos moradores mesmo em meio à pandemia do coronavírus

Mapa do caminho dos rejeitos em caso de rompimento das barragens Forquilha I, II e III. Imagem: Ministério Público

Famílias de Ouro Preto e Itabirito, vizinhas a barragens da Vale, serão obrigadas a deixar suas casas, em meio à pandemia do coronavírus, em função da adequação da área de segurança para as pessoas no caminho da lama considerando o rompimento das estruturas, a chamada zona de autossalvamento (ZAS).


A ampliação da ZAS foi acelerada pelo fato de cinco barragens da mineradora estarem em alerta, duas delas em nível máximo. A decisão é resultado do Termo de Compromisso firmado entre o governo do estado, o Ministério Público e a mineradora.


As estruturas com risco de rompimento são Forquilha I, II, III e IV e Grupo, do Complexo Fábrica da Vale. As barragens Forquilha I e III estão em nível três de emergência, ou seja, risco iminente de rompimento.


A Forquilha II e a Grupo estão em nível dois, o que significa problemas na estrutura e determina a retirada imediata da população. Em nível 1 está Forquilha IV, que aponta anormalidades na barragem, mas sem risco iminente.


Além disso, as barragens Forquilha são muito próximas umas das outras e impactos de grande magnitude podem afetá-las em série. Dados disponíveis sobre Forquilha I, II e III, mostram que juntas as três tem um volume de 55 milhões de m³. O estudo que fundamentou o Termo de Compromisso passou a considerar um cenário de rompimento das quatro estruturas ao mesmo tempo. As barragens ficam nos limites municipais de Ouro Preto mas é Itabirito que está no caminho da lama e teria vários bairros atingidos, inclusive o centro da cidade, como mostra a imagem da simulação do Ministério Público acima.


Cerca de 50 moradores serão evacuados. A Defesa Civil de Minas Gerais informou em nota que enviou três equipes para comandar a ação. A Vale deverá prestar assistência, providenciar as hospedagem e depois moradias temporárias.

Proximidade das barragens em risco. Imagem: Google Maps

A Vale, em comentário que renega o Termo de Compromisso que a empresa firmou com o Ministério Público e Governo do Estado, classificou que os novos limites de segurança foram firmados "com base em estudos mais conservadores que passaram a considerar um cenário extremo e hipotético de rompimento da barragem Grupo e simultâneo das barragens Forquilhas".



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Gabinete de Crise  - Sociedade Civil - 2020