Familiares de vítimas de Brumadinho cobram justiça em ato virtual

Manifestação também cobrou urgência na retomada das buscas dos desaparecidos, interrompidas por causa da pandemia de coronavírus

Ato foi realizado pelo Facebook em função da pandemia. Imagem: Reprodução

Das 272 vítimas do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, 11 ainda estão desaparecidas e a espera e o luto dos familiares já chegam a 487 dias. Passado esse tempo, nenhuma das 16 pessoas indiciadas, entre elas o ex-presidente da Vale Fabio Schvartsman, foi condenada pelos crimes de homicídios dolosos duplamente qualificados, e por diversos crimes ambientais, como destruição de matas, poluição de rios e devastação da fauna.


O ato virtual comandado nesta segunda-feira (25) pela Avabrum, a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pela tragédia de Brumadinho lembrou tais fatos. Realizada no marco de entrada da cidade, a manifestação reuniu pessoas eleitas para representar os demais integrantes da organização, que evitaram se aglomerar em função da pandemia do novo coronavírus. O evento foi transmitido ao vivo, pelo Facebook.


Fotos e faixas expressam dor, indignação e saudade. Emocionadas, três mulheres fazem uma chamada triste, pelos entes que se foram. Segundo Josiane Melo, uma das dirigentes da Avabrum, o ato reforça o anseio das famílias dos atingidos pela punição dos responsáveis pela catástrofe, que derramou 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos em Brumadinho.


A cadeia de ações dos dirigentes da Vale e da consultoria alemã Tüv Süd que provocou o rompimento da barragem é extensa: documentos falsos, relações promíscuas, omissão da verdade ao poder público e à sociedade, laudos forjados acobertando a condição da estrutura.


No mês em que se comemorou o Dia das Mães, as famílias também lembraram aquelas que perderam seus filhos na tragédia. "Dói demais o jeito que vocês foram embora", enfatizava uma grande faixa empunhada pelos manifestantes. "O que nós perdemos é irreparável. Dinheiro nenhum nos restitui. Queremos justiça, punição, e a construção do memorial em honra as vítimas desse crime", afirma Josiane Melo. Ela perdeu a irmã grávida de cinco meses no desastre.


Os participantes também cobram a retomada das buscas pelas 11 pessoas ainda desparecidas sob a lama que devastou a região. O resgate dos corpos foi interrompido pelos bombeiros em 21 de março, após o decreto de Situação de Emergência em Saúde assinado pelo governador Romeu Zema (Novo). O retorno das atividades está marcado para 16 de junho.

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Gabinete de Crise  - Sociedade Civil - 2020