Cinco famílias vizinhas de barragens da Vale são removidas de casa em Macacos

A região onde moravam foi incluída na Zona de Autossalvamento (ZAS) das barragens B3 e B4 da Mina Mar Azul da Vale

Localização da Mina de Mar Azul em Macacos. Imagem: Google Maps

Cinco famílias que moram em região próxima às barragens da mina Mar Azul, no distrito de São Sebastião das Águas Claras (conhecido como Macacos), em Nova Lima, foram retiradas de suas casas, no último sábado, 25, e transferidas para hotéis e pousadas, em uma ação coordenada pela Defesa Civil Estadual.


A retirada foi realizada devido à adequação da Zona de Autossalvamento (ZAS), definida pela atual legislação de barragens como aquela num raio de 10 quilômetros a jusante da barragem ou passível de ser atingida em menos de 30 minutos em caso de rompimento. Também é resultado de um termo de compromisso firmado entre o governo do estado, o Ministério Público e a mineradora.


Segundo nota da mineradora, as famílias serão transferidas futuramente para moradias temporárias.


Em fevereiro de 2019, mais de 200 pessoas que moravam próximas à Mina de Mar Azul já haviam sido retiradas de suas casas.


'Nova' face do impacto minerário

As remoções se tornaram muito frequentes em Minas Gerais nos últimos anos. No início do mês, famílias de Ouro Preto e Itabirito, vizinhas a barragens da Vale, também foram obrigadas a deixar suas casas, em meio à pandemia do coronavírus, em função da adequação da área de segurança para as pessoas no caminho da lama considerando o rompimento das estruturas.

Cerca de 50 moradores ameaçados pelas barragens Forquilha I, II, III e IV e Grupo, do Complexo Fábrica da Vale, foram evacuados. Lá, as barragens Forquilha I e III estão em nível três de emergência, ou seja, risco iminente de rompimento.


Remoções também geram suspeitas Em abril deste ano, outra remoção extensiva foi realizada: 67 famílias residentes no distrito de Antônio Pereira, em Ouro Preto, foram removidas de seus lares após a barragem do Doutor, pertencente à mina de Timbopeba, da Vale, ter seu nível de emergência aumentado de 1 para 2. A estrutura está em processo de descaracterização.


À reportagem do O Tempo, a advogada Laerci Maria de Paula, uma das moradoras removidas, garantiu que não houve qualquer estudo para análise da estabilidade da barragem Doutor e que a retirada de moradores era parte de uma estratégia da Vale para início das obras de descomissionamento da estrutura sem a necessidade de pagamento de indenização às pessoas que residem na região.


“A Vale nos comunicou em fevereiro que fariam uma retirada programada de todas famílias para as obras de descaracterização possam acontecer. Eu entrei na Justiça para exigir que a Vale nos dê garantias mínimas para sairmos de casa, até porque é uma desapropriação, é uma saída definitiva e obrigatória. Eu pedi um depósito no valor do imóvel para que pudéssemos sair. Eles não fizeram nenhuma proposta”, afirmou Laerci à época.

Informação

Receba nossas notícias

e justiça social

  • Preto Ícone Facebook
  • Preto Ícone Instagram

Tel: (31) 3409-9818

Gabinete de Crise  - Sociedade Civil - 2020